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Parte 1 - a situação do homem na AL

Capítulo 1 - perspectiva histórica

Neste capítulo a história latinoamericana é dividida mais ou menos em quatro fases. A primeira, a dos povos indígenas, alguns dos quais “apenas emergiam para a cultura da pedra lascada”, enquanto “outros já haviam atingido altos níveis de cultura e de organização sócio-político-econômica” (p. 21). A segunda é a chegada dos europeus com “propósitos bem definidos mas incestuosamente mesclados: dilatar a fé e o império”, e aqui os autores deram um espaço considerável para desenvolver a ideia de que a Igreja “pode e deve olhar seu passado missionário e evangelizador na América Latina com humildade, mas não com humilhação” (p. 22), pelo lado da humildade porque teve representante entre os opressores, e pelo lado da não humilhação (o mais extenso) porque também teve representantes entre os oprimidos, e assim como em alguns casos chancelava os abusos, em outros denunciava. A terceira fase é a dos movimentos de independência, que numa quarta fase posterior (a fase em que estavam no início dos anos 80, quando o livro foi escrito) percebeu-se que se tratou de uma independência política que não se refletiu numa independência econômica, e uma quarta fase, ou um desenvolvimento nefasto da terceira fase, quando essa dominação econômica se tornou uma dominação complexa envolvendo o capitalismo tanto do ponto de vista econômico quanto cultural (a sociedade de consumo, a sociedade de espetáculo gerada pela tecnocracia, etc) e a disputa de poder sobre a região entre as hegemonias capitalistas e o bloco soviético. Esta perspectiva histórica termina concluindo que a situação atual pe o resultado de fatores internos e externos ao continente, e que “o futuro da Igreja está comprometido com a evolução e o desenvolvimento integral deste continente” (p. 30), não obstante o incômodo com o fato de ele ser profundamente cristão ao mesmo tempo em que é profundamente desigual em termos sócio-econômicos.

Intro e apresentação ok

13/01

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Fé Cristã e Compromisso Social - elementos para uma reflexão sobre a América Latina à luz da Doutrina Social da Igreja. É a segunda edição, revista e aumentada, do texto elaborado pelos jesuítas Pierre Bigo e Fernando Bastos de Ávila, sob orientação do CELAM, e publicada pela CNBB em homenagem à Rerum Novarum, sobre a condição do homem do trabalho, e à Laborem Exercens, sobre a dignidade do trabalho do homem. O copyright das edições Paulinas é de 1983. A apresentação foi feita por dom Orlando Dotti, bispo de Barra e responsável pelo setor de ação social da CNBB em 1981, que eu vou ler agora (segue o texto). Agora vem a introdução, das páginas 9 a 17.

p. 12 (no parágrafo que começou na página anterior):

Até um passado não muito remoto a Igreja confundia a ideia de que só restavam a paciência cristã e as orações para os pobres com a própra ordem natural, como se a opressão fosse uma determinação divina.

p. 12 (“De outro lado se situam”):

Na época em que escreveram esse livro essa decisão de “tornar-se sujeito e protagonista de sua própria promoção” me parece que era colocada em prática pela mobilização política, e que hoje esse mesmo povo ainda está decidido a ser protagonista de sua própria promoção, mas eu tenho a impressão de que o caminho da mobilização coletiva foi meio que deixado de lado pelo caminho do enriquecimento individual, que para a imensa maioria das pessoas nunca vai passar de uma ilusão que, no entanto, sustenta o enriquecimento individual de meia dúzia de pessoas.

p. 13, segundo parágrafo:

A página inteira continua em uma nota gigantesca, que eu não vou ler, mas que apresenta as diferentes formas pelas quais vários papas, de Pio XI a João Paulo II, se referiram ao que hoje se chama de Doutrina Social da Igreja, como ensino social, Doutrina da Sociedade, ensinamentos sociais, pensamento social da Igreja, etc. Acho que a intenção da nota é explicar que esses papas estavam se referindo à mesma coisa que hoje se chama de Doutrina Social da Igreja, mesmo que não usassem essa expressão, e que isso, citando a própria nota, “dispensa a necessidade de debates sobre palavras”.

fccs2.txt · Última modificação: por Marcelo