17/02/2026
Uma prática religiosa, tanto no sentido de penitência (porque somos pecadores) quanto de participação no sofrimento de Cristo na cruz (porque estamos crucificados com Cristo). Como a cruz não tem sentido sem a Ressurreição, ou seja, não é um sofrimento em vão, apenas sofrer por sofrer, as renúncias desta penitência precisam incluir algum benefício para o mundo, mais ou menos como a Paixão de Cristo serviu para a nossa redenção.
Não é como se o resto do ano fosse de paz e tranquilidade pra compensar isso com passar algum perrengue na Quaresma. Todos os sofrimentos, dos menores aos maiores, podem ser oferecidos a Cristo1) (e vividos com ele) todos os dias, mas eles geralmente são em função de outra coisa, como a penitência que é ter que correr pra não perder o ônibus: dá para oferecer esse sofrimento a Cristo, mas a intenção é pegar o ônibus, e não fazer penitência.
O período da Quaresma está mais para uma penitência voluntária só por Cristo, sem ganhar nada com isso, mas mais ou menos como atender ao pedido de Jesus “ ficai aqui em vigília comigo”2), não no horto e sim na cruz, no caso, o que é diferente de abrir mão de alguma coisa por necessidade3).
Apesar de certos entendimentos e argumentações que existem por aí, se a prática religiosa vira esse tipo de coisa, deixa de se religião e quase sempre vira exploração.
Foto de Annika Gordon na Unsplash